segunda-feira, 28 de julho de 2008

NOSSO POETA ALCI TUBINO


BALANCETE

RECOLHO OS DADOS CHEIOS DE PECADO
PENSO NOS DESMANDOS QUE SE ESCONDEM
NO SILÊNCIO
DECRETANDO NOSSO SORTILÉGIO.

COVARDE DIANTE DA DOR
PENSO NO CORPO QUE CONDUZO
CHEIO DE TORTURAS.

QUEM SOU FINALMENTE?
-FRAGMENTO DE LAMA,
CAMINHO DESCONHECIDO...

NÃO TENHO CORAGEM DE MOVIMENTAR
MINHAS ANGÚSTIAS,
SOU RÉU NO FORO ÍNTIMO.

UMA COISA CONFESSO SEM MEDO:
MEU LIVRO-CAIXA FOI ENCERRADO
COM DÉBITO
NA CONTABILIDADE DIVINA.

FINALMENTE NÃO PODEREI MENTIR
NESTE NAUFRÁGIO FINAL...

SOARES TUBINO
URUGUAIANA,19/01/96(TRABALHO INÉDITO)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Augusto Meyer

Augusto Meyer

(Porto Alegre RS, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1970)






Augusto Meyer, jornalista, poeta, ensaísta, memorialista e folclorista, nasceu em P. Alegre, em 24 de janeiro de 1902, e faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1970. Em 1960 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Colaborou, com poemas e ensaios críticos, em diversos jornais do Rio Grande do Sul, especialmente Diário de Notícias e Correio do Povo. Estreou na literatura em 1920, com o livro de poesias A ilusão querida, mas foi com os livros Giraluz e Poemas de Bilu que conquistou renome nacional. Usava o pseudônimo “Guido Leal”. Foi diretor da Biblioteca Pública do Estado do RS, de 1930 a 1936. Organizou o Instituto Nacional do Livro, em 1937, tendo sido seu diretor por cerca de trinta anos.

Detentor do Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 1950, pelo conjunto da sua obra literária. Augusto Meyer faz parte do modernismo gaúcho, introduzindo uma feição regionalista na poesia. Completa com Raul Bopp e Mário Quintana a trindade modernista do RS. Deixou no estudo sobre Machado de Assis um dos ensaios mais importantes sobre o maior escritor brasileiro, que ele tanto admirava.

Principais Obras: Giraluz (1928); Duas orações (1928); Machado de Assis (1935); Prosa dos pagos (1943); À sombra da estante (1947); Guia do folclore gaúcho (1951); Preto & Branco (1956); Gaúcho, história de uma palavra (1957); Camões, o bruxo e outros estudos (1958); A chave e a máscara (1964).



Benedito Saldanha

Pres. Academia Letras e Artes de P. Alegre

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cyro Martins vai às escolas no município de Guaíba





Cyro Martins vai às escolas no município de Guaíba
Amanda Dutra de Oliveira*

No dia 08 de abril do corrente, o projeto “Cyro Martins vai às escolas” foi apresentado aos professores de Língua Portuguesa e Literatura do município de Guaíba (RS). A explanação foi feita na sala de reuniões da Secretaria de Educação do município, e contou com a presença de 30 professores que atuam nas 16 escolas do município.

A diretora-presidente do Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins (CELP CYRO MARTINS), professora Maria Helena Martins, e a professora Aymara Celia, coordenadoras do projeto apresentaram-no e levaram aos professores da cidade uma amostra da abrangência da obra de Cyro Martins. Foi exibido o filme produzido para a série da RBS TV – Escritores Gaúchos, baseado no livro Um menino vai para o Colégio, que também é o texto motivador do projeto, assim como foi apresentada em powerpoint a exposição da artista plástica Liana Timm – Cyro Martins, o transfigurador do óbvio, biografia visual do autor em questão.

Dentre as escolas que já aderiram ao projeto estão Escola Municipal de Ensino Fundamental Anita Garibaldi, Escola Municipal de Ensino Fundamental José Carlos Ferreira e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Rita. Em Gauíba, o projeto contará com a assessoria da professora Amanda Dutra de Oliveira, da escola José Carlos Ferreira, que também é colaboradora do CELP CYRO MARTINS. Outras escolas deverão aderir ao projeto nos próximos dias.

O projeto iniciou neste mês de abril e deve ser concluído no mês de junho. Os estudantes já iniciaram a leitura do livro, e estão programando a apresentação dos trabalhos de seus alunos em duas etapas: primeiro nas suas escolas, para os colegas e comunidade, e depois para as outras escolas em uma grande confraternização entre as escolas participantes do projeto no município. Os participantes têm ampla liberdade para escolher os aspectos a pesquisar e desenvolver sobre o livro lido. Prevê-se que os trabalhos sejam multidisciplinares e que alunos de diferentes séries participem.

O CELP CYRO MARTINS ofereceu para cada professor presente na reunião, folder institucional do Centro, biobibliografia de Cyro Martins e folder sobre projetos comemorativos do centenário Cyro Martins, acompanhando um exemplar do livro de Cyro Martins - Um menino vai para o colégio . Além disso, deverá ofertar a cada escola participante um CD com a biografia visual de Cyro Martins, feita pela artista Liana Timm, um DVD com o filme inspirado no livro, além de 10 exemplares do livro para cada biblioteca. Também disponibilizará a exposição da artista plástica, com 9 banners oleados, para cada escola por duas semanas, a fim de que todos os alunos tenham acesso às obras de arte.

Um dos propósitos mais importantes do projeto é doar a cada aluno participante um exemplar do livro lido. Para tanto, o CELP CYRO MARTINS busca apoio financeiro para nova tiragem da obra, ainda em tempo de repassá-la aos estudantes de Guaíba.

Guaíba, abril de 2008

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*Amanda Dutra de Oliveira é Professora da rede Municipal de Guaíba e assessora do projeto Cyro Martins Vai às Escolas nessa rede.

As professoras da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Rita de Cássia (sede do evento)que envolveram-se neste Projeto com seus alunos no Evento no dia 25/06/2008 foram Tânia Regina Silva de Lima e Profª Vera Lucia Martins Salbego.Juntamente com nossa querida coordenadora Janaina Macedo da Secretaria de Educação que atuou lindamente .Estiveram presentes várias escolas convidadas,dentre elas Inácio de Quadors,TeutOnio Vilela,José Carlos,Anita e Santa Rita(escola sede do evento).As fotos acima são do grupo de Teatro da Escola Inácio de Quadros que abrilhantou o evento.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

DILAN CAMARGO


Biografia


Nome: DILAN DEIBAL D'ORNELLAS CAMARGO

Nome literário: DILAN CAMARGO

Nascido em Itaqui, em 31/12/48. Viveu a sua infância em Uruguaiana e atualmente reside em Porto Alegre, no RS, Brasil. Tem três filhas: Graziela, Letícia e Tamara.

Sua formação primária foi no Grupo Escolar Reighantz e no Grupo Escolar Júlio de Castilhos, em Uruguaiana.

Sua formação secundária se deu no Colégio Sant'Ana -Escola Marista, em Uruguaiana. Nessa época criou, junto com amigos, um programa semanal na Rádio São Miguel de Uruguaiana, chamado Gente Nova. Fundou também o jornal Gente Nova, com a publicação de vários números, e com circulação entre os jovens secundaristas.

É bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela UFSM, formado em 1972. Durante o período na universidade, foi alfabetizador de adultos, militou no Movimento Estudantil, tendo sido Presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, e no Movimento de Jovens da Igreja Católica, tendo sido criador, junto com outros, da Escola da Juventude, na Diocese de Santa Maria, com a formação em Liderança, de várias turmas de jovens.

Fez especialização em Direito e Desenvolvimento pela PUC/RJ, em 1973/74. Nessa época, participou da fundação e foi o primeiro presidente da Associação de Pós-Graduação da PUC/RJ, tendo também criado a sua revista, na qual publicou artigos. Participou e publicou artigos no Semanário Por quê ?, encartado no Jornal Tribuna da Imprensa, que fazia oposição à Ditadura. Participou ainda da Expoesia I, organizada pelo Curso de Letras da PUC/RJ.

É Mestre em Ciências Política,UFRGS, 1983, com uma dissertação sobre o Estado Novo no Rio Grande do Sul, tendo recebido distinção máxima da Banca Examinadora.

Atividade Profissional no magistério:

• Ensino Médio, Colégio Santa Maria - Escola Marista, professor, em 1972.Colégio Anchieta, Porto Alegre, professor de 1976 / 1979.

• Ensino Universitário, UNISINOS, São Leopoldo, professor de Direito Constitucional -Graduação e Pós-Graduação, de 1987 /1992.Também desempenhou atividades docentes, de orientação de Trabalhos de Conclusão e Integrou Bancas Examinadoras. Na graduação lecionou as disciplinas de Direito Constitucional I,II e III. Na pós-graduação, no curso de Direito Político, lecionou a disciplina de Análise Política das Constituições Brasileiras no período de 1984/1991.

• Trabalhou na Assembléia Legislativa do Estado-RS como Assessor Superior, de 1974/2002, desenvolvendo atividades de assessoramento técnico com a elaboração de estudos, análises, projetos de lei e pareceres.Foi Sub - secretário da Cultura do Estado - RS de 2002-2003. Atualmente é secretário da Escola no NEEJA - Menino Deus.

• Em suas atividades culturais, foi membro do Conselho Estadual de Cultura, Presidente e Secretário Geral do mesmo. Fundador, ex-presidente, ex-secretário-geral, e sócio da Associação Gaúcha de Escritores. Representou a entidade em Congressos de Escritores no Brasil e Exterior.Presidente da Associação Prêmio Cyro Martins. Criou e Coordenou a Oficina de Poesia do Instituto Fernando Pessoa, desenvolvendo atividades de orientação na leitura, interpretação e criação de textos de poesias.

Publicou:

Poesia

*Em mãos - antologia de poesia-Ed.Lume.PoA/RS-1976

*Na mesma Voz - Ed .Palmares. .Santa Maria/RS-1981

*Sopro nos Poros - Ed.Tchê.PoA/RS-1985

*Rebanho de Pedras - Pref. Municipal POA/RS-1990.

*Eu pessoa, pessoa eu.- Antologia I e II.Organizador.Ed.Instituto Fernando Pessoa.PoA/RS-1996/1997.

*Poesia e Cidade - Antologia.Organizador.Ed.Associação Gaúcha de Escritores & Pref. Municipal de POA/RS-1997.

*O tempo começa no coração - Antologia. Organizador. Ed.Uniprom&Inst.Fernando Pessoa.POA/RS-1999.

*A fala de Adão - Ed. Mercado Aberto.PoA,/RS-2000.

*Antologia do Sul - Poetas Contemporâneos do RS- Organizador- Ed. Assembléia Legislativa do Estado. POA/RS –2001.

*Coletânea da Poesia Gaúcha do RS - Ed. Assembléia Legislativa - POA/2005.

Poesia Infantil

*O Embrulho do Getúlio. Ed. Mercado Aberto.POA/RS-1989

*O Vampiro Argemiro.Ed.Projeto.POA/RS-1993 - Prêmio Henrique Bertaso da CRL.

* Poesia Fora da Estante.Antologia de poesia infantil. Organizadoras: Cissa Jacoby, Simone Assunção, Vera Aguiar.Ed.Projeto.PoA/RS-1995. Prêmio APCA.

*Bamboletras.Ed.Projeto.PoA/RS-1998

* A Galera Tagarela.Ed.UFPF/RS-2003

*O Embrulho do Getúlio. Reeditado pela Ed.Scipioni/2004

*BrinCRiar.Ed Projeto.PoA/RS-2007

Teatro

*A Casa da Suplicação - Encenada em Porto Alegre com Direção de Carlos Carvalho.

*A Oitava Praga - Premiada pelo Concurso de Dramaturgia da Prefeitura de São José dos Campos - SP

Letrista

Como letrista tem participado intensamente dos festivais de música nativista e popular do Estado, e do país, como compositor e jurado.

Junto com diversos parceiros, venceu os principais festivais do Rio Grande do Sul, tendo também recebido vários prêmios de "Melhor Letra". Entre esses festivais, estão o Musicanto Sul-Americano de Nativismo de Santa Rosa, Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, Coxilha Nativista de Cruz Alta, Seara de Carazinho, Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul, Vindima de Flores da Cunha, Escaramuça da Canção de Triunfo, Feitoria de São Leopoldo,Moenda da Canção de Santo Antonio da Patrulha.

É o autor da letra da música "Diário", composta por Paulo Nascimento, gravada por Ney Matogrosso, como tema do filme "Diário do Novo Mundo", com Daniela Escobar e Edson Celulari como protagonistas.

TEXTOS DE DILAM CAMARGO

Textos

O ato de ler

Os jacarandás da Praça da Alfândega voltam a florir. À sua sombra milhares de livros estarão à disposição de leitores em mais esta edição da Feira do Livro de Porto Alegre. Homens e mulheres, jovens e crianças, poderão se dedicar a um ato unicamente humano e civilizado: o ato de ler.

O ato de ler é um ato de recriação do mundo. Nos primeiros sete segundos de leitura já um mundo novo é criado pelo leitor no fecundo espaço da sua imaginação. A geografia física e espiritual do mundo ficcional e poético surge diante de quem lê, que passa então, a reescrever a obra, da qual se torna também o autor.

O ato de ler é um ato de coragem existencial. O leitor joga-se inteiro num universo de narrativas ou de metáforas desconhecidas, construídas pela energia fabulativa e poetizante do escritor, e feitas de toda alma e de todo corpo, sem tréguas e sem piedade, no desvendamento implacável dos recônditos mais complexos ou obscuros da condição humana.

O ato de ler é um ato de fusão dialética entre razão e sensibilidade. No Oriente, sintetiza Confúcio e Lao Tse. No Ocidente, talvez Marx e Freud. O aparato descritivo da razão é fulminado por transcendências, insolitudes, e inquietado por hipóteses de existência incompreensíveis à luz da razão, mas contudo iluminadoras dos variados sentidos da vida.

O ato de ler é um ato de encantamento. Para uma "humanidade que não suporta tanta realidade" , como sabe T.S. Eliot, a leitura é uma viagem segura para a nau insensata da sensibilidade, levando-a a paragens e a estágios supra-racionais, fazendo-a perder-se, mas não completamente. Quando o leitor fecha um livro, às vezes a contragosto, recobra o seu estado de normalidade, sem correr altos riscos.

O ato de ler é um ato fundador de atitudes. O fio de descobertas, de revelações, através de personagens e metáforas, desata-se em outros atos que vão entrelaçando tecidos espirituais, fortalecendo sínteses morais, quando então se condensam no elemento espiritual de uma nova atitude. E esta, do fundo do ser, oferta ao caráter um novo molde psíquico, regenerador da personalidade.

O ato de ler é um ato de amor e de crença na espécie humana e em si mesmo.

domingo, 22 de junho de 2008

QUERO ESCREVER






Quero escrever
Ao ser humano
Algo que o faça
Despertar
Para o mundo.
Que o faça parar
De destruir a natureza.
E tomar consciência
Que a natureza é o pulmão
Do mundo.
E de nossa existência.
E dela precisamos
Para nossa sobrevivência
Neste planeta terra.

Vamos unir nossas forças
E tentar salvar
O que resta ainda
Da nossa Floresta Amazônica
De nossa Mata Atlântica.

Vamos plantar mais árvores
E preservar a vida
Do nosso planeta.
Unindo forças no mundo todo
A Natureza será preservada
Para as novas gerações
Conhecer a beleza da Fauna e Flora
De nossa Terra.
Assim, escrevo com a consciência.
De poeta e o coração de ser humano.
Para espalhar aos quatro ventos
A sinfonia do amor a Natureza.

POESIA DE VERA SALBEGO.
DIREITOS AUTORAIS

Edinara Leão


Edinara Leão escreveu Minhas faces (1990), (a)mostragem (2000) Fragmentos e Quando sopram os trigais (2005) e Estética e transcendência em O estudante empírico, de Cecília Meireles (2007). Nasceu em 30 de outubro de 1968. Escreve desde os 12 anos, participa de mais de oitenta coletâneas. Possui doze troféus literários. Foi “Escritora do ano” três vezes em São Luiz Gonzaga. Mestra pela UPF e doutoranda em Estudos Literários pela UFSM. Reside em Santa Maria. É mãe de Mirela, Pablo, Pâmela e Pedro. Recebeu o 2º lugar no concurso “Com a palavra, os professores do Brasil”. Idealizou e coordena o Movimento virArte.

e-mail: edinaraleao@yahoo.com.br

blog: http://edinaraleao.blogspot.com/

site: http://br.geocities.com/ruidosdegarca



Caminhos de mim





A presença

que me inquieta o peito

é nesga de luz

diluída,

clareira partida,

canção abandonada

à volúpia íngreme do ar,

ácida bebida

a evaporar-se magia,

engano e tempo,

fumaça fluida

plantada nas têmporas do caos,

olhos de infância

lapidação,

dilaceração

maceração

e depuração

– lança!



caminhos de mim

já tão esquecida de voltar...





Edinara Lão

Santa Maria/RS







Garça



Edinara Leão



Silêncio e rio

crateras

e o vento venta

sombras da canção.



Rios de tábua

no sem mar

agrura e tapera

fogo e adeus.



O livro evapora

o sangue das águas.

Mãe-solidão.



Serpes vergam

a terra

e a brisa

sacode o ar.



- ânsia de mulher



Motivos ao relento

zombam e ferem

caminhos de desamados

versos em torpor.



Universos pela metade

giro dos astros

corpos celestes

montanha alada.



Desmetaforizada, a garça

atavia a terra

no perdido rastro

parto e sol(i)dão.



Precaução

perder tempo

comigo

é

perder-se

em mim,



(arriscas?)



As janelas são altas

e não há

porta.



Cosmogonia

Em uma noite,

minha cosmogonia.



o resto,

reiteração

opaca



(Vai-te,

então.)



Cercania

Falta espaço

falta espaç

falta

espaço

( – espaço!)

falta...

falta.



(não cabes

em meu hemisfério-ser,

deves partir...)

sábado, 21 de junho de 2008

Academia de Letras e Artes de Porto Alegre


C O N V I T E





Academia de Letras e Artes de Porto Alegre



Apresenta



PROGRAMA DE PALESTRAS 2008



Tema: A poesia de Luiz Coronel

Palestrante: Luiz Coronel – Poeta e Compositor de clássicos da nossa música. Sua obra corre sobre dois trilhos: o regional e o universal, em ambos caminhos o sucesso o acompanha. Dentre suas obras literárias, destacam-se: Mundaréu, Retirantes do sul, Cavalos do tempo, Baile de máscaras, Pirâmide noturna, Clássicos do Regionalismo Gaúcho, Querubim de Pantufas, Concerto de Cordas. Sua obra recebeu diversos prêmios, entre os quais: Prêmio Influência Poesia Espanhola, Universidade de Pamplona, Espanha, em 1990. Ultimamente tem tido realce os dicionários Mario Quintana, Erico Veríssimo, Guimarães Rosa e Machado de Assis, obras de grande envergadura, lançadas na Academia Brasileira de letras. Em julho e agosto o Senado Federal o aguarda para o lançamento dos dicionários em homenagem a Machado de Assis e Guimarães Rosa. Por sua presença na mídia, tornou-se um dos poetas mais lidos e ouvidos do país.

No prelo está seu mais recente trabalho: A Cartilha Farroupilha, poema onde narra os dez anos heróicos (35-45) desde as causas da Revolução ao Tratado de Paz. Também para este ano projeta-se a publicação de sua obra infantil, premiada no México, vindo agora ilustrada pelo Colombiano Pedro Lepes. Sua palestra envolve os ciclos de criação do poeta “neste já tão longo viver”.



Onde: Auditório da UGAPOCI - Siqueira Campos, 702 -7º andar, Porto Alegre

Quando: Dia 24 de junho (terça-feira)

Horário: 19hs

Contatos: Fone 9336-6540 E-mail expressoletras@yahoo.com.br

Benedito Saldanha - Pres. da Academia de Letras e Artes de P. Alegre



Promoção: Academia de Letras e Artes de Porto Alegre

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Fernando Pessoa

O valor das coisas não está no tempo em que elas duram...

O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!

Fernando Pessoa

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Auri Antônio Sudati


Auri Antônio Sudati
nasceu em Nova Esperança do Sul - RS, em 27 de novembro de 1949. Filho de Orélio Sudati(in memoriam) e de Ana Cogo Sudati.
Em 1957, transferiu-se para São Francisco de Assis - RS, onde cursou o primário, o ginásio e o científico. Em 1970, foi para Uruguaiana - RS, onde cursou LETRAS na FAFIUR (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Uruguaiana) e, depois Pós-Graduação em Teoria da Literatura, na mesma FAFIUR. Em 1976, mudou-se para Santiago - RS, cidade em que residiu por 25 anos, tendo lecionado na Escola Estadual Lucas Araújo de Oliveira, na Escola Estadual Prof. Isaías, na FAFIS (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santiago) e na Escola Estadual Thomás Fortes. Em 2002, transferiu-se para Santa Maria, passando a lecionar no Colégio Estadual Manoel Ribas (MANECO).
Desde pequeno, mostrou gosto pela leitura e pela elaboração de textos em prosa e versos, tendo, ao longo de sua trajetória, recebido vários prêmios literários.
A CULTURA é algo marcante em sua vida: atuou por oito gestões no Centro Cultural Aureliano de Figueiredo Pinto, em Santiago, não só como Diretor do Departamento de Literatura, como também Apoio Cultural da Biblioteca Pública Municipal Melvin Jones, tendo desenvolvido atividades significativas: Manhãs do Folclore, Chá Literário, Tardes Literárias, Mostra Itinerante de Poetas e Escritores de Santiago, etc.
Foi o Patrono da Feira Municipal da Feira do Livro de São Francisco de Assis, em 1998 e, neste ano de 2003, Patrono da 8ª Feira Municipal do Livro de Santiago.
Em Santiago, recebeu homenagens significativas, como: "1º Calçadão do Autor Presente", 1989; "Escritor homenageado da Semana da Pátria", 1997; "Professor Destaque", 1997; "Escritor Destaque", 1998, entre outras.
É casado com a professora Clionice Lizete Haigert Sudati e tem dois filhos: o Igor e a Jéssie. Tem quatro irmãos: Luis Carlos, Diva Terezinha, Oneci Pedro e Ana Maria.
As grandes influências em sua vida foram: Manuel Bandeira, Lúcio Cardoso, William Wordsworth e o conjunto Os Beatles.
É devoto do Padre Réus. É gremista. Gosta de música, leitura, viagens; ainda, gosta de cultivar boas amizades e é um apaixonado pela natureza.
Editou oito livros e tem participado de cerca de 35 Antologias, com poemas, contos e crônicas.
Atividades atuais: colunista do jornal "Folha Regional" de Santiago; integrante da equipe editorial do jornal literário Letras Santiaguenses, com os escritores Aldacir Fiorenza Couto e Zé Lir Madalosso. Em Santa Maria, onde reside atualmente, é integrante da Casa do Poeta de Santa Maria (CAPOSM), da Cooperativa de Escritores (COOESC) e é expositor do Brique da Estação. Além disso, realiza, há mais de 20 anos, palestras sobre "A Importância da Leitura".






Obras Editadas









A Nova Fábrica de Historinhas, Gráfica Editora Pallotti, Santa Maria - RS, 2003.








O Dinheiro Sumiu. Editora A Notícia, São Luiz Gonzaga - RS, 2000. Em parceria com Z é Lir Madalosso.



Poemas da Caixinha Azul. Gráfica Uruguaianense, Uruguaiana - RS, 1999.







A Tigela Mágica. Grupo Editorial Expressão, Santiago - RS, 1997.





Poesia Criança. Gráfica União, Santiago - RS, 1996.

José Parafuso e o Intruso. Gráfica Editora Pallotti, Santa Maria - RS, 1983.
A Corujinha Indiscreta, Gráfica Editora Pallotti, Santa Maria - RS, 1981.
A Grande Fábrica de Historinhas, Gráfica Editora Pallotti, Santa Maria - RS, 1980.
Próxima Obra: "Poemas do Mundo da Criança".

120 ANOS DE FERNANDO PESSOA


120 ANOS DE FERNANDO PESSOA
Passam-se hoje 120 anos sobre o nascimento do mestre Fernando Pessoa.
Fernando Pessoa um dos espoentes máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico». (sic)
O Grupo Ecos da Poesia tem vindo a reunir desde Janeiro participações de poetas e escritores que responderam ao nosso apelo para uma homenagem a Fernando Pessoa.
Editou inclusive nas suas "Letras da Pintura" uma homenagem ao mestre baseado num quadro doutro grande mestre actual das artes brasileiras, o Eng. Celito Medeiros e que teve a participação de 79 poetas luso-brasileiros e de poetas de lingua castelhana.
Nesta edição comemorativa que apresentamos hoje poderá ver tambem participações individuais do Dr Armando Figueiredo de Portugal, poeta, escritor, ensaísta, cronista, no seu magnifico ensaio, Fernando Pessoa, tocador de lira, a um diálogo entre Fernando Pessoa e Álvaro de Campos apresentado pela grande investigadora de Fernando Pessoa, a Drª Teresa Rita Lopes, o poema Liberdade de Fernando Pessoa com um texto explicativo publicado pela grande divulgadora e poeta brasileira Rosangela Aliberti, um magnifico dueto com Fernando Pessoa da poeta brasileira Nelim Monti, uma belissima homenagem a Fernando Pessoa acontecida no "Martinho da Arcada" pela poeta, escritora, ensaista, tradutora, declamadora Carmo Vasconcelos. Desta poeta também poderá ouvir uma espectacular declamação de "O Mostrengo". A famosa escritora e poeta portuguesa da actualidade Eng.ª Maria Adelina Velho da Palma traz-nos a sua opinião sobre Fernando Pessoa e "As Últimas Horas de Fernando Pessoa" são-nos muito bem apresentadas em poema pelo famoso poeta português Abílio Henriques assim como um magnifico acrostico.
Poderá ouvir também declamações dos saudosos Mário Viegas e João Villarret de Portugal assim como do saudosista recente do Brasil, Paulo Autran. Uma declamação do poeta, escritor, musico, maestro, instrumentista, historiador, filosofo, Dr. Frassino Machado, Portugal, de "O Mostrengo" acontecido na Expo/98 em Lisboa perante milhares de pessoas.
Tudo isto o Grupo Ecos da Poesia, reuniu para si numa singela homenagem ao maior ícone do seculo XX, Fernando Pessoa.
Visite-nos em:
http://ecosdapoesia.net/fernando_pessoa/index.htm

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ciranda "O que deveria ser..."

Ciranda "O que deveria ser..."



O que deveria ser...
Maria Antônia Canavezi Scarpa

apenas beijos de entrega
se tornou uma tatuagem no coração
marcada a ferro e fogo
numa eterna recordação...



O que deveria ser...
Marcos Sergio T. Lopes

Sómente um beijo
Tomou conta de mim
Fez um rastro nas minhas entranhas
Deixou-me na eterna lembrança de você



O que deveria ser...
JRonaldo-JR

Era uma passageira paixão
Mas...ficou em meu coração
Agora... é um amor transcendental
Acima do bem e do mal...



O que deveria ser...
Luiza Benicio

Somente um beijo, numa criança carente,
fê-la sentir-se gente
abraçando a vida contente!
(03.06.2008)



O que deveria ser...
Antonio Cícero da Silva

Deveria ser tudo diferente...
se as pessoas mais se respeitassem,
todos se tornariam bem mais contentes.
Carapicuiba/SP, 04/06/2008



O que deveria ser...
Anna Peralva

somente um sonho criança...
Tornou-se um amor eternizado,
na troca de alianças!
RJ 04/06/2008



O que deveria ser...
Efigênia Coutinho

O sonho encantado e Poesia
fui vivendo toda fantasia
vi a mágica poesia florecer!




O que deveria ser...
Maria Luiza Bonini

Quem dera você fosse como deveria
seria meu amor- verdade
não somente uma fantasia
São Paulo - SP



O que deveria ser ...
Angella Tavares

Onde pensei encontrar amor
a dor foi companheira na alma de um parceiro
agora choro, pelo que deveria ser
e não foi... apenas amor passageiro ...!!
05-06-08
Niterói - RJ



O que deveria ser
Emiriano Rocha

Não deveria...
é genuinamente Ser
porque entre o Dever ser
e o Ser infinitesimal
Subsiste o Querer Inter-relacional
O TU E O EU
05/06/2008



Deveria ser, mas...
Leda Galvão

Deveria ser amor eterno, bondade,
um doce envelhecer sorridente,
mas Deus levou-te...ficou somente a saudade.



O que deveria ser...
Anna Müller

...um sonho realizado,
dentre tantos temporais,
um amor eternizado.



O que deveria ser...
Angela Conde

apenas um amor de verão,
eternamente ficou
completando-me a cada estação...
05/06/2008



O que deveria ser ...
Zenaide Giovinazzo

O que deveria ser perfeito
transformou em decepção
aquela doce ilusão!
SP/05/06/08



O que deveria ser apenas...
Clara da Costa

um jogo de sedução,
se tornou magia e emoção,
nas entrelinhas da poesia...



O que deveria ser...
Marlene Cnstantino

uma emoção só de momento
ficou um tanto mais de você
naquele beijo, que eu não quero
nunca mais na vida esquecer



O que deveria ser...
Sávio Assad

Um afago, gostoso e ardente
onde mãos entrelaçadas vibram
ao som de um eco interior e silencioso.



O que deveria ser...
Maria Thereza Neves

uma união de irmãos
acabou sendo
um suave pedido de perdão!



O que deveria ser...
Sunny Lóra

Estou em débito contigo:
Devo-te uma estrelinha
Brilhante... só minha!


O que deveria ser...
Socorro Lima Dantas

Um amor verdadeiro,
tornou-se uma partida, uma despedida,
uma alma vazia, desnorteada, desiludida...
Recife/PE
05/06/2008



O que deveria ser...
Naidaterra

Não foi possível acontecer,
os ventos ao entardecer
espalharam os recados da lua...



O que deveria ser...
Cássia Vicente

...apenas vontade de saber
resultou em muito querer
em desejos de novamente ter
revirando todo meu ser...



O QUE DEVERIA SER POESIA
Marcial Salaverry

A poesia deveria ser apenas técnica,
obediencia a regras e à métrica,
mas na verdade,
para geral felicidade,
a poesia para os poetas é vida,
para com alegria ser vivida...
Poetas sempre estão a poetar,
brincando, terminamos por duetar...
A amizade é a poesia verdadeira,
e vale pela vida inteira...
Com poesia,
o poeta deixa seu carinho,
e até mesmo um doce beijinho...



O que deveria ser...
Nilda Dias Tavares.

Somente uma amizade
Tornou-se Amor de verdade...
Transformou nosso viver!
Rio de Janeiro.



O que deveria ser
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

O que deveria ser apenas amizade
Transformou-se amor
Transfigurou-se em paixão.



O que deveria ser
Sandra M. Julio

magia, encanto...
tornou-se
pranto.



O que deveria ser
Elaine Freitas
foi.
acabou.
ninguém viu
ou notou.



O que deveria ser
Elaine Ermel

Deveria ser apenas um momento
que envolve e faz sonhar, de terna comunhão.
Perpetuou-se...gravado para sempre em nossos corações!



O que deveria ser
Clara Arruda -Rj

Ah! Se todos pudessem dar as mãos.
Numa fraterna corrente
Despojar o corpo e a mente.
Só deixar falar o coração.



O que deveria ser
Vera Salbego

Ter amor e deixar-se amar.
Ter carinho e deixar-se acarinhar.
Deveria ser amante romântico
Cantando melodias para o luar!!



O que deveria ser
Maria José Lindgren Alves

Foi, mas não adiantou
A vida seguiu
Você escapou.










Retirem o seu "Selo de Participação"



Links, onde está hospedada esta Ciranda

http://recantodasletras.uol.com.br/cirandas/1025117
http://www.cirandasdeletras.cantodapoesia.net/o-que-deveria-ser-tilia.htm
http://www.teiadosamigos.com.br/brincadeiradepoeta/oquedeveriaser.htm

PORTUGAL


PORTUGAL
Ógui Lourenço Mauri

Oh, magna Pátria-Mãe de minha Pátria!Que aos brasileiros deixou por legadoExtenso território unificado,Além de preservada a língua mátria.

Portugal, pequeno na Geografia,
És um gigante, porém, em tua História!...
Toda ela construída de muita glória,
A partir da primeira dinastia.

Lindo é o rubro-verde de teu pendão,Tanto quanto o nosso verde-amarelo;Nós mantemos na "cor da esperança" o eloA simbolizar um porvir de união. Comunidade luso-brasileira...Fraternidade, mescla cutural!É o Brasil integrado a Portugal;Livres, agindo da mesma maneira.

Por ser brasileiro, sou grato a ti!
Por meu país, que tu deste de presente...
Sem sangue derramado... Comovente!
Pra teu orgulho e da terra onde nasci...

Ógui Lourenço Mauri
27/05/2005




PORTUGAL
Ógui Lourenço Mauri

¡Oh, magna madre Patria de mi Patria!
Que a los brasileños les dejo por legado
Extenso territorio unificado,
Además de preservada la lengua madre.

Portugal, pequeño en la Geografía,
¡Pero eres gigante en tu Historia!...
Toda construida de gloria,
A partir de la primera dinastía.

Lindo es el rubro verde de tu pendón,
Tanto como nuestro verde amarillo;
Mantenemos en el "color de la esperanza" el eslabón
Simbolizando un porvenir de unión.

Comunidad luso brasileña...
¡Fraternidad, mezcla cultural!
Es el Brasil integrado a Portugal;
Libres, para actuar de la misma manera.

¡Soy un brasileño... Soy grato a ti!
Por mi país, que nos diste con amor...
¡Sin sangre derramado... Conmovedor!
Para tu orgullo y de la tierra donde nací...
Ógui Lourenço Mauri
27/05/2005


Respete los derechos del autor

Versión en Español: David Yauri

www.lalenguaespanola.com.br





Assessor musical do Grupo "Doce Mistério"
http://br.groups.yahoo.com/group/Doce_Misterio
Papel de Carta (Fundo): Mary Trujillo
Música: Hino Nacional Português

domingo, 8 de junho de 2008

SARAU MUSICAL नो MUSEU DE GUAIBA RS




SARAU MUSICAL NO MUSEU DE GUAIBA RS
Aconteceu neste sábado 7 de junho,Sarau Musical,organizado por Denize Beinecke.O evento inicia as 20h e o acesso gratuito,abre espaço para os talentos da terrinha Guaiba rs.Entre as atraçoes RAFAEL SONIC.Nossa editora esteve lá e o evento promete sucessos.

LUIS ALBERTO MACHADO


EXÓRDIO



Meus diletos amigos & amigas, abri a porteira do mundo em sessenta, numa provinciazinha da mata sul pernambucana, sob o signo de mercúrio, uma fome desgraçada e com o berro pelos ares acordando todo mundo.

Os meus parentes e presentes já sentenciaram: esse menino quer aparecer!

Pelo choro demasiado, minha mãe desconfiou logo que eu seria, então, um daqueles cantores de brega e, por cima, desafinado.

Meu pai, mais reticente, estava lá na biblioteca entretido com seus livros, fez de desentendido: - vai ser mais um prá azucrinar o mundo.

E foi, na batata!

Mais tarde mudaram o verbo: - esse menino gosta mesmo de aparecer!

Verdade: logo cedo publiquei umas baboseiras infantis no suplemento "Júnior", do Diário de Pernambuco.

Mas foi ali naquela vida besta de interior que aprendi a chupar cana, dar o dedo e plantar bananeira. Isso sem contar com os aperreios tantos que provocados pelas travessuras muitas. E se não fosse a maravilhosa professora do primário, eu nunca me meteria a querer ser poeta. A culpa é dela.

Nesse tempo vivia Lobato, Batman, gibis, Defoe, figurinhas e arteirices. Meus pais, parentes, aderentes e achegados sempre tiveram paciência comigo.

Mais taludo, precoce homem-feito, já me perguntava prá que droga que servia guerra, religião, pobreza, usura, preconceito e enrolação. Prá quê mesmo, hem?

Aí, com certeza, parece que já havia sinais que auto-enlouquecia, como diz um amigo meu.

Leituras? Foi por causa de Hermilo e de Ascenso que viajei Graciliano, Érico, Osman e Machado de Assis. Estava adolescente dando murro em ponta de faca, remando contra a maré, aos trancos e barrancos, doido de pedra e sem um pingo de juízo, como de resto fora toda a minha insignificante existência.

Futebol? Claro: flamenguista de Fio, Rodinelli, Zico e dos de hoje. Ao mesmo tempo a cabeça no som de Gonzaga, Capiba, Vivaldi, Gismonti, Yes, Chico e Hermeto. Sem contar com os olhos pregados em Rosa, Pessoa, Drummond, Joyce, Borges e Clarice. Doidice pura.

Terminado o colegial, escolhi o curso de Letras na faculdadezinha da minha cidade.

Daí, arribei prá Recife onde me deram uma corda da gota para publicar meus garranchos e rabiscos produzidos na adolescência.

Publiquei e como a turma atiça o cara prá brigar ou escrever, optei escrever e, depois, ver se vale a pena brigar.

Foi aí que inventei de conhecer as leis para aprender a brigar pelos meus direitos. Torceram tanto para que fosse douto jurisconsulto que afundei na leitura e descobri que os homens fazem da justiça uma instituição bastante injusta. Saí mais torto do que quando entrei. Pudera, avalie.

Nesse meio termo, num sei por que cargas d'água, me puseram numa emissora para redigir notícias e escrever uma crônica diária. Eu sei que foi para tapar buraco, o redator havia se desligado e não dispunham de gente que escrevesse. Pronto, fiquei todo ancho e peguei o vício que até hoje não consigo largar: falar que só o homem da cobra e escrever que só escrivão de polícia.

Repare só, trupicando nos meus solecismos eu vou inventando uma sintaxe para enganar os bestas mais bestas que eu. Mas escrever, mesmo para um charlatão, num é fácil não. E como não sou mestre, a coisa nasce meio atrapalhada. É cada troca de tapa com o vernáculo, tabefe vai e vem com as palavras, puxavanques nas orações, arenga com despropósitos gramaticais, até que elas ganham (ou eu tapio que venci) e sai o texto. Atabalhoado ou não, sai. Isso quando não ocorre uma briga de foice das brabas com o papel em branco, nossa! O papel, Mike Tison; eu, um pelanco de gente metido às pregas. Uso das minhas artimanhas, tá. É como Davi e Golias, sabe? Só que enquanto ele fica imóvel, dou minhas cutucadas.

Pois é, enquanto não me coibirem de dizer leseiras ao léu, vou assim. Fiquem aí que volto já. Abraços.


LUIZ ALBERTO MACHADO é editor do Guia de Poesia e do Varejo Sortido, co-edita com Vânia Moreira Diniz o VMD/Nascente e escreve regularmente para jornais e revistas impresos, além de sites e portais da Internet. É autor dos livros:

Para viver o personagem do homem, poesia. Recife: Nordestal, 1982

A Intromissão do verbo, poesia. Recife: Pirata, 1983

Raízes & Frutos, poesia. Recife: Bagaço, 1985

Canção de Terra, poesia. Recife: Bagaço, 1987

Paixão Legendária, poesia. Rceife: Bagaço, 1991

Primeira Reunião, antologia poética. Recife: Bagaço, 1992

O Reino Encantado de Todas as Coisas, infantil. Recife: Bagaço, 1992

Falange, Falanginha, Falangeta, infantil. Maceió: Nascente, 1995

O Lobisomem Zonzo, infantil. Maceió: Nascente, 1998

O Cravo & A Rosa, infantil. Maceió: Nascente, 1999

Alvoradinha, Calango Verde do Mato Bom, infantil. Maceió: Nascente, 2001

Rascunhos Eventuais, croniquetas. Florianópolis: On Line Book, 2003

As Trelas do Doro, o bacharel das presepadas, noveleta. Florianópolis: On Line Book, 2004

Ela Nua é Linda, prosapoética. Inédito.

A Fúria dos Inocentes, noveletas. Inédito.

Proesas do Biritoaldo, noveleta. Inédito.

Kid Malvadeza & outras estórias, noveletas. Inédito.

O Evangelho Segundo Padre Bidião, noveleta. Inédito.

Rol da Paixão, proserótica. Inédito.

Outras páginas do autor na Internet:

Guia de Poesia

Varejo Sortido

Coluna Literária

Sítio pessoal

Música, Teatro & Cia

Ela nua é linda – um bloguerótico

Opinião (coluna)

Alvoradinha

sábado, 7 de junho de 2008

~ Safo, a Vênus de Lesbos ~




~ Safo, a Vênus de Lesbos ~



Safo, poetisa nascida em Mitilene, na ilha de Lesbos, provavelmente por volta de meados do século VII a.C, de boa família, contemporânea do poeta Alceu. À semelhança deste ela parece ter deixado Lesbos em conseqüência de perturbações políticas na ilha; a crer na tradição Safo teria ido para a Sicília e talvez tenha morrido lá. A poetisa refere-se a si mesma como geraitera, "um tanto idosa", em um de seus poemas. Os siracusanos erigiram em sua cidade no século IV a.C, em homenagem a Safo uma estátua sua de autoria de Silânion, roubada mais tarde por Verres.

A poetisa parece ter sido casada e ter tido uma filha chamada Cleis; tinha também irmãos, um dos quais, Cáraxo, ela censurou por causa de uma complicação amorosa com uma cortesã egípcia chamada Dorica (Heródoto, que se refere ao caso no livro II, 135 de sua "História", confunde Dorica com Rodópis). Segundo parece Safo reuniu em torno de si um grupo de mulheres, talvez com a intenção de cultivar a música e a poesia, ou para o culto de Afrodite. Alceu dirigiu-se a ela em uma ode, da qual chegaram até nós os primeiros versos e o início da resposta de Safo.

Uma lenda difundida pelos poetas cômicos gregos relata que, tendo-se apaixonado por um certo Fáon e vendo-se repelida por ele, Safo lançou-se ao mar do alto do penhasco de Leucás em frente à costa do Épeiros. Mas isso é mero romance. A poetisa escreveu nove livros de odes, epitalâmios, elegias e hinos, dos quais sobrevivem apenas fragmentos (inclusive uma ode completa e quatro estrofes de outra). Safo escreveu em dialeto eólico, e muitos dos fragmentos foram preservados por gramáticos como exemplos desse dialeto.

O assunto principal de seus poemas foi o amor, sempre expresso com simplicidade natural, às vezes com ternura, às vezes com ardor apaixonado. Ela usou em seus poemas uma grande variedade de metros, um dos quais, o sáfico, está associado especialmente a seu nome. Sua poesia foi muito apreciada na antigüidade, tendo sido elogiada por Platão, por muitos poetas da Antologia Grega e por "Longinos" no tratado sobre o Sublime (os dois últimos preservaram dois dos fragmentos mais longos). Suas estrofes foram imitadas literalmente por Catulo em seu poema 51 (Ille me par esse deo videtur). Horácio refere-se a ela nas Odes II, xiii, 24-25, e IV, ix, 11-12 (Vivuntque commissi calores Aeoliae fidibus puellae). Ovídio escreveu em suas Heroides uma epístola imaginária de Safo a Fáon (traduzida por Alexander Pope, 1707). Safo inspirou também muitas passagens de poetas ingleses, inclusive Swinburne ("Anactoria") e Frederick Tennyson.





~ Poesias de Safo ~





Contemplo Como o Igual dos Próprios Deuses

Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas
com tal doçura,

e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai
a minha voz,

a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,

e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.

Para Anactória

A mais bela coisa deste mundo
para alguns são soldados a marchar,
para outros uma frota; para mim
é a minha bem-querida.

Fácil é dá-lo a compreender a todos:
Helena, a sem igual em formosura,
achou que o destruidor da honra de Tróia
era o melhor dos homens,

e assim não se deteve a cogitar
em sua filha nem nos pais queridos:
o Amor a seduziu e longe a fez
ceder o coração.

Dobrar mulher não custa, se ela pensa
por alto no que é próximo e querido.
Oh não me esqueças, Anactória, nem
aquela que partiu:

prefiro o doce ruído de seus passos
e o brilho de seu rosto a ver os carros
e os soldados da Lídia combatendo
cobertos de armadura.


Quando eu te Vejo

Quando eu te vejo, penso que jamais
Hermíone foi tua semelhante;
que justo é comparar-te à loura Helena,
não a qualquer mortal;

oh eu farei à tua formosura
o sacrifício dos meus pensamentos,
todos eles, eu digo, e adorarte-ei
com tudo quanto eu sinto.

O Amor

O Amor agita meu espírito
como se fosse um vendaval
a desabar sobre os carvalhos.


As Rosas de Piéria

E morta jazerás: de ti
não restará lembrança, em tempo algum,
nem mesmo compaixão jamais despertarás:
nas rosas de Piéria não tiveste parte.

Desconhecida até na casa de Hades,
errante esvoaçarás em meio a obscuros mortos.

A Lua já se Pôs

A lua já se pôs,
as Plêiades também:
meia-noite; foge o tempo,
e estou deitada sozinha.


Para Mnesídice

Com as meigas mãos, ó Dice,
trança ramos de aneto,
e põe essa coroa
em teus cabelos:

fogem as Graças
de quem não tem grinalda,
mas felizes acolhem
quem se enfeita de flores.

Como a Doce Maçã

Como a doce maçã que rubra, muito rubra,
lá em cima, no alto do mais alto ramo
os colhedores esqueceram; não,
não esqueceram, não puderam atingir.


Palavras de Alceu a Safo

Ó cheia de pureza,
ó Safo coroada de violetas
que docemente ris:

eu te diria de bom grado certa coisa,
se não fosse a vergonha que me impede.

Resposta de Safo a Alceu

Se quisesses tão só o bom e o belo,
se em tua boca más palavras não tramasses,
não haveria essa vergonha nos teus olhos
e poderias exprimir-te francamente.


Para Átis

Nossa amada Anactória está morando,
ó Átis, na longínqua Sárdis,
mas sempre volta o pensamento para cá,

lembrando como antes nós vivíamos,
ela a julgar-te alguma deusa
e teu canto a causar-lhe puro enlevo.

Ela resplandece agora em meio às lídias,
como depois de o sol se pôr
brilha a lua dos dedos como rosas

no meio das estrelas que a rodeiam,
e então derrama a sua luz
no mar salgado e no florido campo,

enquanto o orvalho paira pela relva
e tomam novo alento as rosas,
o suave cerefólio e o trevo em flor.

Eu Vos Rogo, ó Cretenses

Eu vos rogo, ó cretenses, vinde ao templo:
ao redor há um bosque de macieiras,
e dos altares sempre se levanta
o odor do incenso.

Aqui a água fria rumoreja calma,
em meio aos ramos; cobre este lugar
uma sombra de rosas; cai o sono
das folhas trêmulas.

Aqui num campo onde os cavalos pastam
desabrocham as flores do carvalho
e os anetos exalam seu aroma
igual ao mel.

Apanhando grinaldas, vem, ó Cípris,
e dá-me um pouco desse claro néctar
que tão graciosa serves para a festa,
em taças de ouro.










Publicado poema de Safo, após 2.600 anos

Um poema de amor escrito 2.600 anos atrás pela poetisa Safo foi publicado no dia 24 de junho de 2005 pela primeira vez desde que foi redescoberto, no ano passado. Os versos expressam o amor de Safo por suas companheiras na ilha grega de Lesbos.

"Ela obviamente tinha um relacionamento emocional com mulheres, e possivelmente sexual também" (?), disse o tradutor Martin West, acadêmico da Universidade de Oxford. O poema foi descoberto após pesquisadores da Universidade de Cologne, na Alemanha, identificarem um papiro que envolvia uma múmia do século 3 antes de Cristo. Nele estavam os versos da poetisa.



Os pesquisadores perceberam que alguns dos fragmentos do poema encaixavam-se a outros já identificados como de autoria de Safo, descobertos em 1922. Combinando as duas partes e completando os espaços perdidos com palavras de significado compatível, o original foi reconstruído.

Nos versos publicados agora, a poetisa lamenta o passar do tempo ao comparar os corpos jovens de dançarinas aos seus frágeis joelhos e aos seus cabelos brancos.

Veja a tradução de um trecho do poema. Por se tratar de um texto poético, com múltiplas interpretações, a tradução é livre.

Vós, meninas, entusiasmem-se com os carinhosos presentes
Das musas de seios perfumados e com a lira clara e melodiosa:
Mas o meu outrora macio corpo, agora velho
Enrijeceu; meus cabelos tornaram-se brancos, em vez de negros




Safo é a maior poetisa lírica da Antiguidade
POR DANIEL CRISTAL clique

ATLETAS BATEM RECORDES E SE CLASSIFICAM PARA O SULAMERICANO NO EQUADOR


LEVANTAMENTO DE PESO
ATLETAS BATEM RECORDES E SE CLASSIFICAM PARA O SULAMERICANO NO EQUADOR

Os atletas José Carlos e Juracy de Souza conquistaram o Tri-campeonato Brasileiro de Levantamento de Peso no Campeonato Nacional da modalidade
Disputado na cidade de São Bento do Sul,Santa Catarina,realizado entre os dias 22 e 27 de maio.José Carlos bateu dois recordes brasileiros e Juracy foi escolhida a melhor atleta Máster,classificando-se para o Sul- americano que será disputado no Equador.Os atletas agora buscam apoio para tentar conseguir passagem e estadia para esta competição Continental.Quem tiver interesse em auxiliá-los pode manter contato pelo fone 51 3402 0542.
APOIO:ATLETAS BUSCAM PATROCÍNIO PARA COMPETIR FORA DO PAÍS.
Matéria do Jornal Folha Guaibense Ano XVIII-Nº893 Pag.15

O VERSEJAR DE UMA POETA MORTA

O VERSEJAR DE UMA POETA MORTA Eis-me diante de ti. Submissa, implóroQuero a tua poesia, em todos os meus diasSem ela sou flor inerte - sem alimento - morro sufocada pelo implacável venenodesta triste nostalgia Que venha teu poema sobre qualquer temaDiga da angústia, da volúpia ou da paixãoInvada meu silêncio com teu grito extremoProvoque em mim, novamente, a tua emoção Perceba que calei em versos e prosaInexiste teu cantar que me inspiraFaça renascer em mim mais uma rosa ou Cala para sempre - se nada mais te importa -Continuarei fenecendo, triste e silenteTerás de mim somente o versejar solene e finito de uma poeta morta ******Maria Luiza Bonini São Paulo, 04.06.08 "Coincidência é mais apelido de Deus"Maria Luiza Bonini

Carícia da natureza

Carícia da natureza
Vânia Moreira Diniz


Escalei montanhas, imergi nos mares,
Caminhei nas florestas, voei com pássaros,
A me mostrarem a essência do planeta,
E encontrei nos lagos a paz e calmaria!,

Entendi de constelações e absorvi seu brilho,
Nos meus olhos a luzir de esperanças,
Conversando com a lua em segredos generosos,
Enquanto o céu se cobria de nuvens esparsas.

Procurei nos rios o seu trânsito ininterrupto,
E segui seu curso ansiando desaguar
Meus sonhos e encontrar um afluente seguro,
Onde pudesse descansar minha alma.

Esquentei-me transida ao sol matutino,
Admirando os consistentes reflexos dourados,
Em raios de calor a procurarem meu corpo,
E sentindo na pele a carícia da natureza.

Desnudei-me corpo e alma buscando,
A suavidade da brisa a me confortar,
Trazendo-me sua fresca e doce aragem,
Enquanto gotas de chuva me refrescavam.

Reapareci imune, vibrante e silenciosa,
A colher pelo caminho as flores perfumadas,
Descansando á sombra das frondosas árvores,
E procurando no horizonte o caminho que viria.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

RODA HARMÓNICA


EL GIRO ARMONICO

DE LA PAZ

V.A.

A RODA HARMÓNICA

DA PAZ

C.V.



Que alegría aunque fuese una vez

sentirnos de verdad todos iguales

con el corazón pleno de sensibilidades

actuando con corrección y sensatez



Que alegria nem que fosse uma só vez

sentirmo-nos verdadeiramente iguais

com o coração pleno de sensibilidades

agindo com correcção e sensatez



Que alegría fuese sentir cada mañana

que todos los corazónes son un nido

con un comunicativo como fuerte latido

cantando con el gozo de quién se amaña



Que alegria seria sentirmos cada manhã

que todos os corações são um ninho

a emitir uma mensagem forte e sonora

ao cantar o gozo de quem se irmana



Que alegría que nos llenásemos tanto

de esa felicidad contagiosa y habláramos

de cara al mundo con el alma como canto

una paz que armoniosa hoy convocamos



Que alegria que nos enchêssemos tanto

dessa felicidade contagiosa e falassemos

para o mundo - de alma cantante -

da paz harmoniosa que hoje clamamos



Que alegría tener una tierra virginal

donde nunca se hubiese contaminado

que pudiese caminar como un hominal

actuando correctamente de lado a lado



Que alegria termos uma terra virgem

que nunca nos tivesse contaminado

e pudessemos caminhar como seres puros

agindo correctamente lado a lado



Que alegría tener todos paz espiritual

unidos como el agua de un claro mar

con una energía tan prístina y natural

porque nunca ha dejado feliz de amar



Que alegria termos todos paz espiritual

unidos como a água dum límpido mar

de energia cristalina e natural

porque, felizes, nunca deixámos de amar



Que alegría estremecernos de asombro

sintiendo el cielo de belleza en la tierra

pensar que jamás hemos tenido guerra

sin contaminación, ni viendo escombro



Que alegria estremecermos de assombro

sentindo a beleza do céu na terra

pensarmos que jamais tivemos guerra

nem doença, nem vimos escombros



Que alegría impulsarnos todos hacia Dios

respetando todo lo que nos ha entregado

tratando todo con minuicioso cuidado

seguro no le diríamos a la tierra, adiós



Que alegria elevarmo-nos a Deus

respeitando tudo o que nos entregou

e tudo tratando com minucioso desvelo

que, seguramente, à terra não diríamos adeus



©VICTORIA LUCIA ARISTIZABAL©

BOGOTA COLOMBIA

JUNIO 5 DE 2008



Tradução livre de Carmo Vasconcelos

Lisboa-Portugal

5 de Junho 2008

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

FEIRA DO LIVRO DE VIAMÃO RS

Médicos Sem Fronteiras


O Brasil, embora seja, hoje, a 12a economia mundial, se caracteriza por ter uma das piores distribuições de renda do mundo. Isto, na prática, significa que os 10% mais pobres da população brasileira dividem 0,7% da renda, enquanto os 10% mais ricos concentram 48% dela. Além disso, 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.

Estes números criam um contexto de pobreza e exclusão social que trouxeram Médicos Sem Fronteiras para o Brasil. No Brasil, o acesso à saúde é garantido pela constituição federal, mas é limitado na prática. Paralelamente ao trabalho junto a populações desfavorecidas, o objetivo de MSF aqui é sensibilizar a sociedade civil brasileira acerca das situações de extrema dificuldade enfrentadas pelas comunidades excluídas. Esta sensibilização se dá através dos meios de comunicação, da organização de manifestações e, em casos extremos, de denúncias públicas.

Médicos Sem Fronteiras atua tanto em contextos emergenciais – como epidemias, catástrofes naturais e conflitos –, como em contextos estáveis onde a exclusão social ocasiona o sofrimento de milhares de pessoas. Embora tenha sido o advento de uma epidemia de cólera na Amazônia, em 1991, que trouxe MSF para o Brasil, o trabalho hoje é caracterizado por projetos de desenvolvimento de médio prazo, dentro de um contexto relativamente estável, porém caracterizado pela desigualdade e pela violência cotidiana. Em 1993, motivado pela situação de exclusão social e violência no Rio de Janeiro, que chegava aos noticiários internacionais, MSF envia uma equipe de profissionais para a cidade com o intuito de investigar a situação, avaliar a necessidade de atuação e planejar ações.

Os projetos de MSF no Brasil se caracterizam pelo desenvolvimento de iniciativas médico-sociais, das quais a população assistida participa ativamente. A proposta de MSF é funcionar como um elemento catalisador de mudança social, através de ações que garantam a sustentabilidade dos projetos.

Durante este processo, a organização procura contribuir para que as populações atendidas se organizem, de modo que elas mesmas possam lutar por seus direitos. Os projetos também buscam um diálogo com representantes do poder público, criando um canal de comunicação entre as comunidades excluídas e os governos, para reafirmar o compromisso do Estado em atender as necessidades dessas populações.

As atividades de Médicos Sem Fronteiras no Brasil são financiadas, em sua maioria, com recursos de doações de cidadãos de vários países, inclusive do Brasil.





Médicos Sem Fronteiras
Desenvolvido por S2 Digital

Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a vítimas de catástrofes, conflitos, epidemias e exclusão social, independentemente de raça, política ou crenças. É também nossa missão sensibilizar a sociedade sobre as condições de vida das populações que atendemos - clique para saber mais

FAÇA COMO A REVISTA POÉTICA DUPLICIDADE E SUA EDITORA A ESCRITORA VERA SALBEGO ENTRE NESTA TAMBÉM!!!AJUDE!MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

QUERO ESCREVER




Quero escrever
Ao ser humano

Algo que o faça
Despertar
Para o mundo.
Que o faça parar
De destruir a natureza.
E tomar consciência
Que a natureza é o pulmão
Do mundo.
E de nossa existência.
E dela precisamos
Para nossa sobrevivência
Neste planeta terra.

Vamos unir nossas forças
E tentar salvar
O que resta ainda
Da nossa Floresta Amazônica
De nossa Mata Atlântica.

Vamos plantar mais árvores
E preservar a vida
Do nosso planeta.
Unindo forças no mundo todo
A Natureza será preservada
Para as novas gerações
Conhecer a beleza da Fauna e Flora
De nossa Terra.
Assim, escrevo com a consciência.
De poeta e o coração de ser humano.
Para espalhar aos quatro ventos
A sinfonia do amor a Natureza.


Vera Salbego
Guaíba rs
http://verasalbego.zip.net

A responsabilidade de cuidar do planeta é de todos nós seres vivos,vamos começar JÀ!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

ESCRITORA VERA SALBEGO NA CAMPANHA DA BIBLIOTECA DO SINDICATO DO COMÉRCIO


Escritora Vera Salbego inserida na Campanha da Biblioteca do Sindicato do Comércio de Guaiba, fez doações de suas obras para a Presidente do Sindicato Ivone Simas.Acredito nesta Campanha por que somente através da Leitura as pessoas vão ter uma nova realidade para suas vidas,assim sendo me inseri nesta Campanha.Acredito que só através da leitura os homens irão transformar o mundo.
O objetivo da criação da Biblioteca do Comerciário é proporcionar à categoria alternativas de lazer e maior facilidade para aprimorar conhecimento através da pesquisa e leitura.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O XVI Congresso Brasileiro de Poesia



O XVI Congresso Brasileiro de Poesia e Encontro Latino-americano de Casa de Poetas, que ocorre em outubro deste ano, agora possui um site na internet onde podem ser obtidos informações sobre a programação e também (em breve) sobre hospedagem e estadia.

terça-feira, 27 de maio de 2008

HOMENAGEM AO POETA ALCI TUBINO


Soares Tubino
ALCI SOARES TUBINO nasceu em Uruguaiana.Autodidata,pertence a várias instituições culturais da cidade e do pais.Funcionário Municipal aposentado,quando de sua passagem pelo Centro Cultural Dr.Pedro Marini,criou e organizou a Sala do Autor Uruguaianense.Publicou as obras Gonçalves Vianna e seu universo poético(1987).Colaborador de jornais e revistas de nosso Estado,trabalhou como redator de A Vanguarda de Uruguaiana e a Platéia de Livramento.Fundou e dirigiu o extinto Clube de Artes de Uruguaiana(1982).Durante anos manteve sua coluna poética no jornal Cidade,publicando obras de Poetas Consagrados e de novos talentos.Mantém a coluna Histporias da Vida do Jornal da Tarde da Rádio Charrua AM.Participou da Coletânea Causos e Versos nos Confins do Continente de São Pedro(2006),organizado pela escritora Vera Ione Molina.
Esta é uma homenagem dessa Escritora e editora da Revista Poética que presta a este Poeta,Escritor Alci Soares Tubino.Amigo Inesquecível!!Um grande abraço amigo Tubino.Vera Salbego

sábado, 24 de maio de 2008

Biografia de Mario Quintana



Mario Quintana
Biografia de Mario Quintana, momentos importantes de sua vida,




Mario Quintana: um dos grandes representantes da literatura brasileira


Mario Quintana foi um importante escritor, jornalista e poeta gaúcho. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906. Trabalhou também como tradutor de importantes obras literárias. Com um tom irônico, escreveu sobre as coisas simples da vida, porém buscando sempre a perfeição técnica.



Sua infância foi marcada pela dor e solidão, pois perdeu a mãe com apenas três anos de idade e o pai não chegou a conhecer (morreu antes de seu Viveu na cidade natal até os 13 anos de idade. Em 1919, mudou-se para a cidade de Porto Alegre, onde foi estudar no Colégio Militar. Foi nesta instituição de ensino que começou a escrever seus primeiros textos literários.

Já na fase adulta, Mario Quintana foi trabalhar na Editora Globo. Começou a atuar na tradução de obras literárias. Durante sua vida traduziu mais de cem obras da literatura mundial. Entre as mais importantes, traduziu “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e “Mrs. Dalloway” de Virgínia Woolf.

Com 34 anos de idade lançou-se no mundo da poesia. Em 1940, publicou seu primeiro livro com temática infantil: “A rua dos cataventos”. Volta a publicar um novo livro somente em 1946 com a obra “Canções”. Dois anos mais tarde lança “Sapato Florido”. Porém, somente em 1966 sua obra ganha reconhecimento nacional. Neste ano, Mario Quintana ganha o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira dos Escritores, pela obra “Antologia Poética”. Neste mesmo ano foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras.

Ainda em vida recebeu outra homenagem em Porto Alegre. No centro velho da capital gaúcha é montado, no prédio do antigo Hotel Majestic, um centro cultural com o nome de Casa de Cultura Mario Quintana.

Faleceu na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994, deixando um herança de grande valor em obras literárias.

Principais obras de Mario Quintana:

Poesias

A Rua dos Cataventos,1940
Canções,1946
Sapato florido,1948
O aprendiz de feiticeiro,1950
Espelho mágico,1951
Poesias,1962
Quintanares,1976
A vaca e o hipogrifo, 1977
Esconderijos do tempo,1980
Baú de espantos,1986
Preparativos de viagem,1987
Da preguiça como método de trabalho, 1987
Porta giratória,1988
A cor do invisível, 1989
Velório sem defunto,1990
Água, 2001

Literatura Infantil

O batalhão das letras, 1948
Pé de pilão,1968
Lili inventa o mundo,1983
Nariz de vidro,1984
O sapo amarelo,1984
Sapato furado, 1994

Antologias

Antologia poética, 1966
Prosa & verso, 1978
Na volta da esquina,1979
Nova antologia poética,1981
Literatura comentada,1982
Primavera cruza o rio,1985
80 anos de poesia,1986
Ora bolas, 1994

Cora Coralina


BIOGRAFIA

Cora Coralina (Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas) — 20-08-1889/10-04-1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP). Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana. Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.

Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)." Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás. No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte. "Estórias da Casa Velha da Ponte" é lançado pela Global Editora. Postumamente, foram lançados os livros infantis "Os Meninos Verdes", em 1986, e "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu", em 1997, e "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", em 1989.

Texto extraído do livro "Vintém de cobre - Meias confissões de Aninha", Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 174.


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OPINIÃO

O amor na velhice

Por: Olympia Salete Rodrigues

A Cora Coralina que todos conhecemos: aquela mulher que se descobriu poeta já bem velhinha, depois de uma vida de luta, inclusive com um casamento desastroso que ela carregou corajosamente e, só após a morte do marido, conseguiu se ver em sua enorme e verdadeira dimensão, como mulher e como poeta.

Escolhi este poema para ilustrar este Artigo por dois motivos: o primeiro por pensar exatamente como ela ao entregar o amor ao amado. O amor tem que ser entregue SEMPRE, mesmo que não seja aceito. Porque o amor só se torna concreto se chega às mãos do ser amado. E, se não entregamos o amor que sentimos, esse amor fica maculado e se deforma, pois foi sonegado, o que, em matéria de amor, é crime sem perdão. O segundo motivo de minha escolha é colocar para todos que me lêem reflexões sobre o amor na velhice, um direito de todos nem sempre respeitado.

Uso sempre a palavra velho (ou velha)... Não gosto, quem me lê já sabe, de idoso ou terceira idade... Ai, isso até me dói.... rs..., pela tentativa de falsidade que encerra. A palavra velho implica numa carga de sabedoria e experiência que nos dá a vida à medida em que vivemos. E dessa carga também quero falar.

Eu, pessoalmente, recebo uma série de observações que poderiam até parecer desagradáveis e indelicadas. Só que não as sinto assim porque as acolho com serenidade. Por falar eu de amor, e por amar de verdade, muita gente entende que sou atrevida, ridícula, inconseqüente etc. etc.... E, o estranho disso é que não ouço tais críticas de pessoas jovens, mas de pessoas que estão caminhando para o auge da maturidade cronológica e atribuem a mim os fantasmas da própria velhice que se aproxima. Os jovens, em geral, admiram minha coragem de amar e declarar meu amor. Para eles, quase sempre, a idade fica em segundo plano, não influi na relação ou no diálogo. Mais ainda, eles até se declaram egoístas, querendo aprender e sorver a sabedoria do velho com quem se relacionam como amores ou como amigos. Daí eu concluir que aqueles que tentam anular o direito de amar dos velhos, estão apenas refletindo neles seus próprios medos, sua incapacidade de amadurecer o amor na medida em que amadurecem em idade.

É simples encarar a equação. Ninguém, em seu perfeito juízo, negaria ao velho os direitos todos que a vida lhe dá: comer, dormir, divertir-se, trabalhar, enfim, exercer plena e conscientemente a vida que pulsa. Por que negar-lhes o direito ao amor e ao sexo? Se isso fosse normal, certamente esses desejos legítimos e saudáveis se arrefeceriam com o passar do tempo. Se não arrefecem é porque a natureza sábia reconhece sua validade. E, pelo que constatamos, a libido não tem mesmo idade... Ela pede e grita no velho como pedia e gritava no jovem que ele foi. E como aceitar uma restrição que venha de fora? Como ceder à pressão e se enclausurar, renunciar a viver esse lado exultante do eu?

Pensemos um pouco em nossos antepassados: pais, avós, familiares que se entregaram a um marasmo na velhice por não terem força para lutar contra preconceitos terríveis e tão propalados que eles próprios os assumiam. O homem era até mais prejudicado, pois vivia perseguido pela "fatalidade" da impotência "obrigatória" depois de certa idade. E a grande maioria ficava impotente mesmo, pelo poder da sugestão. Os progressos da medicina vieram em seu socorro e hoje o problema, se aparece, é contornável. As mulheres não eram estigmatizadas por essa terrível previsão, mas o eram pelos preconceitos e se fechavam em conchas a partir de certa idade, acreditavam que a menopausa as tornaria menos fêmeas e menos desejáveis. E está fechado o círculo: casais velhos, frustrados e infelizes, apenas sentados indefesos na sala de espera da morte. E assim vimos ou temos notícias de tantos entes queridos que definharam depois de nos darem a vida, a educação, a sua sabedoria, para que seguíssemos felizes os nossos caminhos. E eu pergunto: isso é justo?

Convoco os ainda jovens para que abram suas mentes e preparem seu futuro de velhos. Só assim chegarão à velhice com a dignidade e a sabedoria que torna os velhos realistas, felizes e seguros. Seus preconceitos de hoje, se existem, os tornarão certamente velhos amargos, vítimas de si mesmos, das crenças errôneas que acumularam e deixaram que se cristalizassem.

Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos, esclarecer aos jovens suas posições e mostrar-lhes as verdades que viveram e que os tornaram melhores. Entreguemos o amor ao ser amado, sem vergonha e sem medo, e vivamos esse amor intensa e completamente, na alma e no corpo. Se disserem que idade não é documento..., mostremos que é sim, documento importante porque repleto de experiência e de aprendizagens muitas vezes à custa de sofrimento. Somos todos lindos, independente de aparência física, porque é linda nossa alma e linda a nossa coragem de amar! Portanto, não nos enterremos antes da hora. Vivamos, vivamos! No momento certo, outros nos enterrarão, gratos pelas lições que lhes deixamos.

Cora Coralina escreveu esse poema quando era muito mais velha que eu. Tinha o rosto enrugado, o corpo alquebrado e maltratado pela vida, mas tinha a alma lisa e pura, apesar das pauladas que certamente levou, e tinha, ao escrever, a certeza de sua grandeza como ser humano, um coração que pulsava no ritmo da própria idade. Por isso admitia que o amado a aceitasse ou não, interessava apenas torná-lo feliz por saber-se amado. Que o verdadeiro amor só quer dar!

E termino louvando essa brasileira que soube morrer amando. Exatamente como eu quero morrer, orgulhosa e valente...

Olympia Salete Rodrigues (Colaboradora do site paralerepensar -Poetisa e escritora)


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POEMAS - CORA CORALINA

Poeminha amoroso
Não sei
Velho Sobrado
Conclusões de Aninha
Assim eu vejo a vida
O cântico da terra
Mascarados
POEMINHA AMOROSO

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."
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NÃO SEI...

Não sei... se a vida é curta...

Não sei...
Não sei...

se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.
Índice

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Velho Sobrado
Cora Coralina

Um montão disforme. Taipas e pedras,
abraçadas a grossas aroeiras,
toscamente esquadriadas.
Folhas de janelas.
Pedaços de batentes.
Almofadados de portas.
Vidraças estilhaçadas.
Ferragens retorcidas.

Abandono. Silêncio. Desordem.
Ausência, sobretudo.
O avanço vegetal acoberta o quadro.
Carrapateiras cacheadas.
São-caetano com seu verde planejamento,
pendurado de frutinhas ouro-rosa.
Uma bucha de cordoalha enfolhada,
berrante de flores amarelas
cingindo tudo.
Dá guarda, perfilado, um pé de mamão-macho.
No alto, instala-se, dominadora,
uma jovem gameleira, dona do futuro.
Cortina vulgar de decência urbana
defende a nudez dolorosa das ruínas do sobrado
- um muro.

Fechado. Largado.
O velho sobrado colonial
de cinco sacadas,
de ferro forjado,
cede.

Bem que podia ser conservado,
bem que devia ser retocado,
tão alto, tão nobre-senhorial.
O sobradão dos Vieiras
cai aos pedaços,
abandonado.
Parede hoje. Parede amanhã.
Caliça, telhas e pedras
se amontoando com estrondo.
Famílias alarmadas se mudando.
Assustados - passantes e vizinhos.
Aos poucos, a " fortaleza " desabando.

Quem se lembra?
Quem se esquece?

Padre Vicente José Vieira.
D. Irena Manso Serradourada.
D. Virgínia Vieira
- grande dama de outros tempos.
Flor de distinção e nobreza
na heráldica da cidade.
Benjamim Vieira,
Rodolfo Luz Vieira,
Ludugero,
Angela,
Débora, Maria...
tão distante a gente do sobrado...

Bailes e saraus antigos.
Cortesia. Sociedade goiana.
Senhoras e cavalheiros...
-tão desusados...
O Passado...

A escadaria de patamares
vai subindo... subindo...
Portas no alto.
À direita. À esquerda.
Se abrindo, familiares.

Salas. Antigos canapés.
Cadeiras em ordem.
Pelas paredes forradas de papel,
desenho de querubins, segurando
cornucópia e laços.
Retratos de antepassados,
solenes, empertigados.
Gente de dantes.

Grandes espelhos de cristal,
emoldurados de veludo negro.
Velhas credências torneadas
sustentando
jarrões pesados.
Antigas flores
de que ninguém mais fala!
Rosa cheirosa de Alexandria.
Sempre-viva. Cravinas.
Damas-entre-verdes .
Jasmim-do-cabo. Resedá.
Um aroma esquecido
- manjerona.
Índice


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Conclusões de Aninha

Cora Coralina

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.

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Assim eu vejo a vida

Cora Coralina

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

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O cântico da terra

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

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Mascarados

Cora Coralina

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

Clarice Lispector


Clarice Lispector

Nascimento: 1925/12/10 Tchetchelnik (Ucrânia)
Morte: 1977/12/09
País: Brasil


Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha. Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo. Sobre Clarice, escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinquenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".


Clarice Lispector

Precisão

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.


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Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

Cecília Meireles


Cecília Meireles

Nascimento: 1901/11/07 Rio de Janeiro RJ
Morte: 1964/11/09
País: Brasil


Cecília Meireles (Rio de Janeiro RJ, 1901 - 1964) concluiu, em 1917, o Curso Normal, e passou a trabalhar como professora primária. Dois anos depois publicou Espectros, seu primeiro livro de poesia, de tendência parnasiana. Seguiram-se Nunca Mais... e Poema dos Poemas (1923) e Baladas para El-Rei (1925), nos quais já aparecem elementos simbolistas. A partir de 1922 aproximou-se das vanguardas modernistas, principalmente dos poetas católicos. Em 1938 ganhou o Prêmio de Poesia, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Viagem. Nos anos seguintes, conciliou à produção poética os trabalhos de professora universitária, tradutora, conferencista, colaboradora em periódicos, pesquisadora do folclore brasileiro. Publicou também poesia infantil. A Academia Brasileira de Letras concedeu a Cecília, postumamente, o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, em 1965. Destacam-se em sua obra os livros Vaga Música (1942), Mar Absoluto e Outros Poemas (1945), Retrato Natural (1949), Doze Noturnos da Holanda & O Aeronauta (1952), Romanceiro da Inconfidência (1953), Canções (1956), Poemas Escritos na Índia (1961), Metal Rosicler (1960) e Solombra (1963). Cecília Meireles é considerada pela crítica poeta pertencente à segunda geração do Modernismo. No entanto, Manuel Bandeira afirmou que há em sua obra “as claridades clássicas, as melhores sutilezas do gongorismo, a nitidez dos metros e dos consoantes parnasianos, os esfumados de sintaxe e as toantes dos simbolistas, as aproximações inesperadas dos super-realistas. Tudo bem assimilado e fundido numa técnica pessoal, segura de si e do que quer dizer."


Cecília Meireles

Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.


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Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


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No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta


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Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.


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Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?


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Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.


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A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crinças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.